Vinte anos após sua marcante participação no BBB 5, Rogério Padovan, o Doutor Gê, ainda é uma figura lembrada pelos fãs do reality. Médico e pentacampeão de caratê, o ex-brother, natural de Ribeirão Preto, reviveu com exclusividade sua trajetória na edição que consagrou Jean Wyllys, detalhando a histórica rejeição que o marcou e as transformações em sua vida desde então.

Sua saída do programa, com impressionantes 92% dos votos, foi um evento que ele compara a uma "Copa do Mundo". Apesar do alto índice de eliminação, Rogério afirma que já antecipava o resultado, despedindo-se dos colegas como Jean Wyllys, Grazi Massafera e Sammy com a convicção de que "a vida continua". Essa porcentagem, que na época figurou entre as maiores rejeições do Big Brother Brasil, foi superada em edições futuras por nomes como Karol Conká, Nego Di e Viih Tube no BBB 21. "Confesso que fiquei um pouco chateado quando superaram minha rejeição, mas faz parte do jogo", brinca ele.

O Jogo Aberto e a Fama de Estrategista

Doutor Gê defende que sua postura no reality foi a de um jogador explícito, buscando formar alianças e traçar estratégias, o que o levou a ser rotulado como um dos principais articuladores da edição. Duas décadas depois, ele não se arrepende de sua conduta, mas faz questão de distinguir o jogo do comportamento pessoal. "Minha forma de jogar era clara e aberta. Montei um grupo de quase dez pessoas e me tornei o líder. Tinha minhas táticas e posicionamentos. Mas é crucial ressaltar que nunca levantei a voz, agredi ou desrespeitei ninguém", explica.

Ele refuta o termo "vilão", preferindo ser reconhecido como um "grande jogador". Para ele, a associação entre ser um estrategista e ser um vilão é equivocada. Apesar da eliminação estrondosa, Rogério sentiu o carinho do público. "As pessoas nunca me viram como alguém ruim. Pelo contrário, sempre houve muito afeto, curiosidade para entender meu jogo. Recebi muito apoio", revela. Contudo, ele pondera que, se tivesse uma nova chance, talvez alterasse sua estratégia, evitando a formação de grupos.

Vida Pós-Reality e Novos Papéis

Mesmo com apenas um mês de confinamento, o reconhecimento acompanha Rogério Padovan até hoje. Pacientes no consultório, pessoas nas ruas e em eventos ainda o chamam de Doutor Gê, um testemunho da marca que deixou. "É incrível como, depois de 20 anos, as pessoas ainda me reconhecem. Tiro muitas fotos no consultório e ouço o 'Doutor Gê!' por aí", conta.

Antes do BBB, ele já era médico e retomou sua carreira com vigor após o programa, especializando-se e estabelecendo duas clínicas em São Paulo, onde hoje atua como diretor técnico. A medicina, para ele, é a prioridade. Sua passagem pelo reality também rendeu laços duradouros com outros participantes, inclusive de diferentes edições, alguns dos quais se tornaram seus pacientes. A intensidade da convivência no confinamento, segundo ele, é a chave para a força dessas amizades. Fora da vida profissional e das memórias do programa, Rogério se descreve como um homem de família. Casado há dez anos com Priscila Ferrari e pai de dois filhos, ele valoriza a gratidão, a humildade e o respeito, princípios que, segundo ele, nunca mudaram ao longo do tempo. Hoje, ele se vê na "fase de ser espelho" para seus filhos, um papel que leva a sério.

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